Cansa de tudo. De ser feito de bobo, de sempre ser segunda opção (ou as vezes nem ser uma delas), cansa ser sempre o motivo de um problema, cansa ser trocada, cansa ser criticada 25 horas por dia, cansa se sentir incompleta, cansa nunca ser suficiente pra alguém, cansa e não é pouco. Porque tudo se repete em um ciclo sem fim. E isso tudo (e mais um pouco) vai destruindo por dentro, cada dia corrói um pouco mais. Chega em um ponto onde nossa alma transborda e a gente fica sem saber o que fazer, fica fraco, sem vontade de levantar da cama e se olhar no espelho. Uma coisa que já está em 0% é a auto-estima, nem sei o que é isso mais. Ser feliz parece ser uma hipótese totalmente fora de cogitação. Uma zona de penumbra atormenta a vida, não se pode ver um palmo em frente à face. E isso cansa. Cansa não sorrir, cansa saber que nunca vai ter alguém ali do seu lado dizendo que tudo isso vai passar, mesmo que demore, vai passar. Viver se torna uma tarefa árdua demais, e só dá vontade de jogar tudo pro alto, sabe? Essas sensações todas acabam com a vontade de viver. Eu sei, sempre escutei que a vida não seria fácil, mas também não sabia que seria tão difícil assim. Podem pensar que isso é tudo “mais um drama de um adolescente” mas não, não é. Nessa idade já passei por barras tão pesadas que não sei nem como cheguei até aqui. Chega uma hora que a gente cansa, simplesmente se cansa de tentar achar a felicidade e se entrega a dor.
Sempre me disseram que quando me deparasse com o amor, eu iria sentir algo mágico, indescritível com palavras, mas aí eu te vi, sentado em um banco de praça, lendo o jornal do dia, e tudo que eu sabia, ou achava que sabia sobre o amor, desmoronou em questão de segundos, todo o mundo ao meu redor parou e eu só tinha olhos pra você..foi assim, simples assim, sem magia nem nada, que eu conheci o que era o tal amor.
Um retalho dos amigos, uma calça dos pais, uma camisa dos tios e um boné da sociedade: assim estava eu livre da punição de quem quer usar as coisas que tem vontade.Entretanto, a verdade é pesada, e cansada de andar sempre curvada - resolvi me endireitar: deixei os sapatos, e a blusa também. Decidi que meu caminho não faria jus a mais ninguém.
A Iliterata
Eu não sei, mas acho que a gente olha e pensa: “Quero pra mim”. Mas dá um frio na barriga, um tremor, um medo de depender de alguém, de sofrer, de escolher errado, de lutar por algo que não vale a pena. Porque o coração nem sempre é mocinho. Foi por isso que corri, tentei fugir, mas quando tem que ser, não adianta, será.
Sabe daqueles namoros que ele leva flor, chocolate, poemas, declarações, aneis e colares? E que ela o chama de principe, prepara pequiniques, viagens a praia e divide comida? Eu não quero isso. Eu não preciso disso. Eu quero você. Eu preciso de você.
fico feliz de saber que gostou <3
segui de volta, o seu também é lindo!
Não tinham nenhum tipo de relação. Assim era o que os outros viam e… E não poderiam imaginar o quanto os dois se conheciam. Aliás, nem mesmo eles sabiam que se conheciam tanto assim. Conheceram-se na adolescência, quando ir para o local de estudo era emocionante por terem certeza que um veria o outro e quando isso não acontecia, abatiam-se. Era um tal de chamar atenção daqui e outro dali. Comunicavam-se com o olhar, disfarçado, direto, sério, tímido, desviado… Eram tantos olhares que não precisavam de palavras para se comunicarem. E o mais engraçado é que nenhum dos dois sabia dessa intensa comunicação. Era lindo, mas era custoso manter aquilo. Era custoso porque nenhum dos dois sabiam se eram correspondidos ou não. Eles namoravam, ele com outra e ela com outro. Eram diferentes, tinham gostos diferentes e amigos completamente diferentes, era como se o destino não conspirasse a favor, em nenhuma das situações. Ninguém dava futuro, ninguém. Era estranho sentirem tanta paixão e guardarem para si. Era impossível, não iria dar certo. Nunca. Um ano se passou e era como se tivessem esquecido, era. Parecia, só parecia. Dois românticos idiotas, vivendo mentiras e parecendo gostar delas. Ele largou a namorada e ela continuava na mesma. Esqueceu mas não esqueceu. Parou de ter esperança mas não parou de crer. Estranho. Complicado. Um ano sem olhar um para o outro, um ano é tanto tempo. Um ano. Um ano muda tudo. Mas um ano não era nada, absolutamente nada. Nada para eles. Nada pela ligação que tinham um com o outro, viram-se após esse longo porém talvez não… Tempo. Viram-se e era como se nada tivesse mudado, não pararam de se comunicar com gestos, não pararam porque não conseguiam, porque era obcecados por aquilo, só pararam no dia em que ele abriu a boca e disse, pela primeira vez em tanto tempo, que gostava dela e que sabia que ela sentia o mesmo. Como de costume, ela sorriu e respondeu que era verdade, apenas com um olhar. Amaram-se. amaram-se, amaram-se. E os outros puderam ver milhares de vezes o que estava na frente de seus olhos, mas ninguém podia enxergar. Além de ele e ela e o amor que sentiam um pelo outro.
minhas considerações sobre o fim do poço:
não se trata apenas de estar sozinho, de ter um coração partido, de ter amigos que cabem em uma mão. o fim do poço não é um show que você perdeu ou um dia em que acordou triste. fim do poço é estar com fome e não ter o que comer. é esperar arroz, feijão e carne e receber meia colher de arroz e bacon ou só arroz, só bacon e nem isso. fim do poço é ser jogado na rua e desejar morrer todos os dias pela falta de condições de se manter ali, respirando. fim do poço é sorrir para a pessoa que você ama num dia e ir ao enterro dela quatro dias depois. fim do poço é morar de favor, é implorar piedade, é bajular por pura necessidade, alguém que despreza completamente a sua dor. fim do poço é ser traído e não ter onde morar. é perder alguém querido e ter que se manter firme durante anos porque existe alguém que não suportaria suas lágrimas. fim do poço é saber que não se pode subestimar a força de qualquer fim porque tudo sempre vai ser pior do que parece. fim do poço é chorar, já com 20 anos, por alguém que saiu da sua vida enquanto beirava os 9. fim do poço é ter certeza que nenhum outro amor de qualquer tipo pra qualquer pessoa não será tão intenso e digno porque simplesmente você já não pode sentir tanto assim. fim do poço é roubar alho e cebola do supermercado. fim do poço é faltar aula por estar sem dinheiro. fim do poço é se admitir miserável e fracassado para um espelho que vai te julgar mais do que qualquer um que conheça sua história. fim do poço não é sofrer de amor. é sofrer de vida, de realidade, da possibilidade de morrer. fim do poço é fugir, fingir, foder sua vida por segundos caríssimos de alegria. fim do poço é morar num buraco, deixando de pagar x para pagar r. o fim do poço não é o fim, é só a vida sendo uma vadia ingrata.
não subestime o fim do poço.
não o confunda…
você só descobre onde esteve quando sai.

